segunda-feira, 3 de setembro de 2012


Os impactos ambientais e sociais gerados pelos agrocombustíveis.

Quando falamos em agrocombustíveis, estamos nos referindo ao rumo que vem tomando a produção dos biocombustíveis, apontados como alternativas para substituir os combustíveis de origem fósseis que tanto agridem o meio ambiente.

            Que existe uma necessidade urgente de substituição da atual matriz energética dos países, por uma matriz mais limpa formada por fontes energéticas renováveis é fato, aliás, esse tem sido o discurso da ONU e do IPCC, órgão daquela instituição, no entanto, há que se atentar para os rumos que esta produção está tomando, o que foi apontado como solução, parece estar se transformando em um problema, dado os interesses do agronegócio.

            Devemos considerar que a matéria prima para se produzir os biocombustíveis é em boa parte, a mesma utilizada para alimentar o ser humano, como o milho, a beterraba, a semente de girassol e tantos outros e isso acaba gerando um redirecionamento de sua produção por uma questão de demanda de mercado que visa antes de tudo o lucro. Temos que nos preocupar também com o pequeno produtor, que acaba sendo expulso de suas terras para ceder lugar ao grande produtor.

A forma como os combustíveis têm sido produzidos tem gerado sérios problemas de ordem ambiental, por conta de técnicas de manejo inadequado da fauna e da flora. As espécies de vegetais originárias de uma região têm sido substituídas por outras espécies menos adaptáveis ou inadequadas a localidade, gerando sérios desequilíbrios ambientais, como a degradação do solo levando muitas vezes a extinção dessas espécies.

            Outro aspecto que merece especial atenção é o fato de que em nome da ganância e do lucro, as áreas remanescentes de florestas estão sendo desmatada para dá lugar a produção de sementes para atender a demanda do mercado, como por exemplo, o avanço da produção se soja e criação de rebanhos na fronteira amazônica. Na verdade, esse tipo de produção ainda carece de regulamentação em legislação própria que deve estabelecer regras levando em consideração os impactos ambientais e sociais que ela pode causar em longo prazo, e essa com certeza é uma tarefa muito difícil porque passa pela questão estrutural interna de cada país e pela ideia de soberania territorial.

            Não custa lembrar que a produção dos biocombustíveis como os da cana-de-açúcar, por exemplo, consumem uma quantidade muito grande de recursos hídricos, desencadeando uma alerta para a sustentabilidade desse recurso já tão escasso em algumas regiões do planeta.

            Por outro lado, não podemos perder de vistas a função social da terra, observada no seu estatuto. Não é aceitável que se priorize o lucro em detrimento do alimento da população, o que já está acontecendo em várias regiões do planeta, especialmente nas regiões mais pobres, marginalmente excluídas do sistema mundial vigente.  

            No meio de toda essa polêmica, um aspecto chama bastante atenção, o fato de que os organismos diretamente responsáveis por elaborar politicas de sustentabilidade tanto ambiental como alimentar, como a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) parecem não ter definido ainda o caminho a ser seguido, ou inda, perecem não ter descoberto uma forma de fazer com que os países cumpram de fato as suas orientações. Como lidar com as divergências de interesses entre ricos e pobres e crescer de forma sustentável. Enquanto não se tem uma resposta para tal questão a polêmica vai ficando no campo do discurso e quem sofre com isso é sempre aquele que mais precisa.

Por Francisca Iramí Alves
 

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